Uma máquina pode ser tão criativa quanto um ser humano?
Por Luciana Alves
Um programa de computador que pode escrever complexas obras de música erudita, que não parecem “melodias de robô”. Essa é a novidade apresentada cientista David Cope, professor das universidades da Califórnia-Santa Cruz, EUA, e de Xiamen, na China. Batizado de Emily Howell, o mecanismo, desenvolvido a partir de técnicas de inteligência artificial, tem seu próprio estilo musical e vai muito além das simples composições eletrônicas habituais.
Abastecido com uma coletânea de trabalhos musicais, o programa criou, a partir deles, sua própria maneira de compor. Segundo o cientista, o estilo de Emily seria uma mistura de todos os estilos, um som parecido com o de compositores clássicos contemporâneos. E, o mais interessante, Emily consegue modificar suas composições a partir de sugestões, verbais ou musicais, dadas pelo expectador.
A idéia de utilizar inteligência artificial partiu de uma crise de criatividade do próprio cientista, que também é músico. Cope não conseguia terminar uma ópera, então, um amigo sugeriu que ele criasse um programa que o ajudasse a finalizá-la. Assim nasceu o projeto Experiments in Music Intelligence (EMI), o predecessor de Emily Howell, na década de 80.
O programa analisava as composições feitas anteriormente por Cope em busca de padrões – pequenas assinaturas musicais que só ele teria – e os reproduzisse em novas formas, seguindo o estilo do autor. Além de terminar sua ópera, o pesquisador utilizou o EMI para analisar e produzir novas peças de gênios da música clássica, como Mozart, Beethoven e Bach.
Os projetos receberam várias críticas do meio artístico por tentar reproduzir a capacidade de criação do homem. “Muitos músicos, acadêmicos ou compositores, acreditam que a criação musical é apenas de natureza humana, e, de alguma forma, este programa de computador ameaça este aspecto único de criação humana”, explica Cope.
Em seu próximo trabalho, um livro, o cientista vai além: defende que a música é uma ciência matemática. Além da acústica e dos sons, uma composição envolveria a teoria dos jogos, indo, portanto, muito além da inspiração. “Para mim, música e programação estão tão ligadas quanto se possa imaginar. Quando estou compondo, estou programando. Quando estou, programando estou compondo”, disse o cientista ao site Ars Technica.
Polêmicas à parte, Emily irá lançar um CD, pela Centauro Records, nos EUA. Suas composições serão interpretadas por músicos humanos.
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Fonte:Geek
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