Máquinas que dominam o homem
Uma dupla de pesquisadores de Portugal e da Indonésia descreveu uma nova metodologia, baseada na tomada de decisão por lógica computacional que, segundo eles, poderá um dia dotar as máquinas – computadores e robôs – com um senso de moralidade.
Os autores de ficção científica sempre exploraram o tema das máquinas que tomam o controle da situação e exercem algum tipo de dominação sobre o homem. A Skynet, da série O Exterminador do Futuro, e o computador Hal 9000, de 2001: Uma Odisseia no Espaço são os exemplos mais lembrados de uma longa lista na qual as máquinas de Matrix parecem representar a distopia final de uma colaboração histórica – as máquinas que ajudam o homem – que eventualmente poderia se transformar em mais um caso de dominação.
Lógica prospectiva
Luís Moniz Pereira, da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal e Ari Saptawijaya da Universidade da Indonésia, acreditam que esse futuro – se de fato a suspeita vier a se transformar em possibilidade, ou eventualmente em risco – poderá ser minimizado com a aplicação adequada de lógica computacional e de mais inteligência artificial.
“A moral já não pertence mais apenas ao reino dos filósofos. Recentemente, tem havido um crescente interesse em compreender a moral do ponto de vista científico”, dizem os pesquisadores em seu artigo.
Eles analisaram um sistema conhecido como lógica prospectiva para começar a a programar a moralidade em um computador. De forma bastante simplificada, a lógica prospectiva permite que se modele um dilema moral e, em seguida, sejam determinados os resultados lógicos das possíveis decisões.
Ética das máquinas
A abordagem poderá, acreditam os pesquisadores, representar a emergência da ética das máquinas, permitindo desenvolver equipamentos completamente autônomos que poderão ser programados para fazer julgamentos com base nos fundamentos da moral humana.
“Equipar os agentes de software com a capacidade de tomar decisões morais é uma exigência indispensável. Isto é particularmente verdadeiro quando os agentes estão operando em domínios onde os dilemas morais ocorrem, por exemplo, no campo da saúde e da medicina,” diz o artigo.
Os pesquisadores também apontam que a ética das máquinas poderá ajudar os psicólogos e cientistas da cognição a encontrar novas formas de compreender o raciocínio moral nas pessoas e, eventualmente, extrair os princípios morais de situações complexas que ajudem as pessoas a decidir o que é certo e o que é errado. Tal entendimento poderia então ajudar no desenvolvimento de sistemas educativos inteligentes para ensinar a moralidade às crianças, defendem eles.
Dilema do bonde
Para demonstrar sua abordagem, os pesquisadores criaram um programa para resolver o famoso “dilema do bonde”, um exercício de pensamento ético apresentado pela filósofa britânica Philippa Foot na década de 1960.
O problema envolve um bonde fora de controle correndo por uma rota em cujos trilhos estão amarradas cinco pessoas. A pessoa que está fazendo o teste pode girar uma chave que enviará o bonde para uma rota diferente, em cujos trilhos está amarrada uma única pessoa. O dilema é: Deve-se ou não girar a chave?
O programa de lógica prospectiva pode considerar cada resultado possível com base em diferentes versões do problema e demonstrar logicamente as consequências das decisões tomadas em cada um dos casos. O próximo passo seria dotar cada resultado com um peso moral, de modo que o programa possa fazer o melhor juízo e decidir se deve ou não girar a chave. Ou seja, a consideração moral de cada situação é substituída por um “julgamento a-priori, a cargo do programador.
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Fonte: Inovação Tecnológica.
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