Publicado por: STRØNGM@N | 31 agosto, 2008

Cientista: máquinas pensarão melhor que o homem em 2030

Vernor Vinge acredita no triunfo da inteligência artificial

Vernor Vinge acredita no triunfo da inteligência artificial

Na versão de Vernor Vinge sobre a Califórnia em 2025, existe uma escola de segundo grau chamada Fairmont High, cujo lema é “tentando ao máximo não se tornar obsoleta”. Não parece muito inspirador, mas, para os muitos fãs de Vinge, se trata de um objetivo muito ambicioso, e possivelmente inatingível, para os membros da nossa espécie.

Vinge é um matemático e cientista da computação em San Diego cujos trabalhos de ficção científica conquistaram cinco prêmios Hugo e críticas positivas dos engenheiros que analisam sua plausibilidade técnica. O escritor é capaz de devaneios líricos, mas também suspeita que suas sagas intergalácticas em breve venham a se tornar tão obsoletas quanto os heróis humanos que as protagonizam.

O problema é um conceito delineado por ele em um ensaio de 1993, no qual prevê que em 2030 os computadores se terão tornado tão poderosos que uma nova forma de superinteligência poderia emergir. Vinge comparou esse momento da história à singularidade que cerca um buraco negro: uma fronteira para além da qual as velhas regras deixam de valer e cuja tecnologia seria tão impossível de compreender pela nossa civilização quanto a nossa o é para um peixinho dourado.

Essa singularidade é muitas vezes descrita em tom de piada como “paraíso dos nerds”, mas Vinge não prevê felicidade imortal. O cientista nele pode admirar as maravilhas tecnológicas, mas o romancista prevê catástrofes e se preocupa com o destino de seres humanos nem tão maravilhosos, a exemplo de Robert Gu, protagonista de Rainbows End o fim do arco-íris, o mais recente romance que ele escreveu.

Robert ensina inglês e é um famoso poeta que sucumbe ao Mal de Alzheimer, sobrevivendo em uma casa de repouso até 2025, quando a singularidade parece estar se aproximando e a tecnologia propicia maravilhas. Ele recupera a maior parte de suas faculdades mentais, seu corpo de 75 anos é rejuvenescido e até mesmo suas rugas desaparecem.

Mas ele se sente tão perdido no mundo novo que tem de voltar ao segundo grau para aprender técnicas básicas de sobrevivência. Wikipedia, Facebook, Second Life, World of Warcraft, iPhones, mensagens instantâneas – tudo isso são tecnologias antiquadas, tacanhas, porque no futuro todos estarão conectados a todos, e a tudo.

Graças a lentes de contato especiais, computadores que fazem parte das roupas e sensores de localização instalados em toda parte, as pessoas verão uma corrente constante de texto e imagens sobrepostos ao mundo real. Em conversa com a imagem fiel de um amigo distante que parece caminhar ao lado de alguém, é possível ajustar o cenário de acordo com as preferências mútuas – acrescentando torres medievais aos edifícios, por exemplo – e ao mesmo tempo manter comunicação com vastas redes de pessoas e computadores.

Para o misantropo Robert, que mal havia conseguido dominar o e-mail em sua vida pregressa, o mundo das redes é um inferno multitarefas. Ele se recolhe a um de seus velhos retiros, a Biblioteca Geisel, que no passado foi o centro intelectual da Universidade da Califórnia em San Diego mas agora é visitada tão raramente que seus livros em papel estão a ponto de ser jogados fora para abrir espaço a uma versão cabeça de um parque de diversões temático.

Na biblioteca, ele encontra algumas outras pessoas “medicamente recauchutadas” que ainda lêem livros e utilizam máquinas obsoletas como laptops. Adotando o nome de “Cabala dos Idosos”, eles conspiram para salvar a biblioteca e tentam descobrir a que servem suas capacidades, se é que servem para alguma coisa.

Vinge, 63, entende o sofrimento dos velhinhos, nem que seja porque seus livros fazem parte do acervo da biblioteca. Ele me levou a uma reunião da Cabala dos Idosos, na biblioteca, e falou sobre as preocupações que tem quanto a 2025 – alguém ainda lerá livros? O conhecimento distribuído em rede fará aos intelectuais aquilo que a Revolução Industrial fez aos artesãos?

“O pessoal da época do romance tem a atenção de uma borboleta”, ele afirma. “Eles se animam com um tópico, o usam de determinada maneira e logo o abandonam por outro coisa. As pessoas agora se preocupam porque não existem mais empregos vitalícios. A que ponto essa tendência poderia chegar? Consigo imaginar um mundo no qual todo mundo trabalha por tarefa, e cada tarefa dura menos de um minuto”.

A visão incomoda, mas Vinge a classifica como um dos cenários menos desagradáveis quanto ao futuro: a amplificação de inteligência, ou IA, que permitirá que os seres humanos se tornem mais inteligentes ao combinar seus conhecimentos comuns e integrar os conhecimentos que as máquinas oferecem, talvez até pela conexão direta entre seus cérebros e computadores.

A alternativa ao IA seria o triunfo da AI, ou inteligência artificial, que, ele calcula, superaria em muito a inteligência humana. Caso isso venha a acontecer, prevê Vinge, as máquinas superinteligentes não se contentarão em trabalhar para seus mestres humanos, e tampouco se deixarão confinar pacatamente em laboratórios. Como ele escreveu naquele ensaio de 1993, “imagine-se confinado à sua casa e com acesso apenas limitado ao exterior e aos seus mestres. Caso esses mestres pensem em ritmo, digamos, um milhão de vezes inferior ao seu, resta pouco dúvida de que, depois de alguns anos, você certamente desenvolveria alguns ‘conselhos úteis’ para lhes dar que, incidentalmente, permitiriam que se libertasse”.

O que aconteceria conosco se as máquinas comandassem? Bem, diz Vinge, pode ser que os pós-humanos venham a nos utilizar como nós usamos os bois e jumentos. Mas o escritor prefere esperar que eles sejam mais como os ambientalistas, que desejam proteger as espécies mais fracas nem que por interesse próprio.

Na imaginação de Vinge, os pós-humanos raciocinariam que “talvez precisemos dos humanos porque são criaturas naturais capazes de sobreviver em situações nas quais uma catástrofe poderia fazer com que a tecnologia desapareça. Assim eles poderiam trazer de volta as coisas importantes – ou seja, nós”.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Fonte: The New York Times

Pois é… Vocês acreditam que nós seres humanos ficaremos subordinados as máquinas? Eu sei que nós hoje estamos cada vez mais dependentes da tecnologia como um todo… Mas temos várias características que nos tornam únicos e nenhuma máquina chegará a ter tais características… Algumas delas, é a capacidade de se adaptar a qualquer situação, de ser criativo, de solucionar problemas na qual a solução não está “descrita” ainda etc, etc… Alguém já viu algum caso real do criador ficar obedecendo ordens da criatura? Eu ainda não vi e sei que sempre seremos superiores a qualquer máquina que seja criada. Acredito que a IA exista para poder facilitar o nosso trabalho do dia-a-dia ajudando-nos e não para nos comandar.

O que você, caro leitor, acha?

See ya!!!


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